quarta-feira, 27 de maio de 2009

Ronaldo: superação fenomenal

Greici de Mattos
Falar da qualidade técnica de Ronaldo, o fenômeno, como foi batizado na Europa, é chover no molhado. Mas para a geração que vê Zico, Falcão e Pelé em remotas imagens televisivas e saudosistas de um futebol brasuca que há tempos abandonou nossos estádios; para quem vê clubes brasileiros falidos entregando seus patrimônios à empresários estrangeiros a fim de aliviar suas finanças; para quem vê futuros craques recém formados completarem seus primeiros dribles já em um clube europeu, em seus precoces 18 anos, amparados pela Lei Pelé; e ainda, para quem assiste o craque de seu time do coração errar gols que até na várzea seria motivo de gozação, o futebol do Ronaldo em um time brasileiro, sendo transmitido pela televisão em canal aberto, e disseminado para o resto do mundo é um sentimento que só os amantes do futebol podem entender, até mesmo os anti-corinthians. A cada lance, cada toque na bola, a certeza que dali sairá um lance inesquecível domina os espectadores.
Isso tudo se pode argumentar apenas ao olhar os gols de Ronaldo no último domingo, para justificar seu apelido. Dois lances geniais. Sem contar ainda o que ele já fez no futebol – fatos esquecidos pela imprensa esportiva que fora duramente incrédula ao relegá-lo a condição de ex-jogador – como as duas vezes em que foi escolhido o melhor do mundo e sagrado o maior artilheiro de todas as copas. Um retorno espetacular depois de machucar aquele que é considerado quase como um coração para um atleta, o joelho. O fenômeno é especialmente único mesmo, como bem descreve Milton Neves em sua coluna na revista Placar de abril, “Ronaldo é esse Bill Gates da grana, Madre Teresa de Calcutá da humildade, Pelé da artilharia das Copas e Edmundo da falsa Malandragem”, fazendo referência às nuances da vida pessoal do craque.
Ronaldo, com a velocidade explosiva de seu corpo não conseguiu escapar das lesões que o afastaram do futebol, nem driblar as adversidades de uma vida pessoal conturbada. Provou que dar a volta por cima pode ser um desafio presente por vários capítulos da vida, e deve ser por isso que o brasileiro o ama tanto, ele é um exemplo de que mesmo com tanto talento, as adversidades surgem para todos.

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