Segundo a teoria aristotélica sobre as três formas de governo, a democracia é “o governo do povo, de todos os cidadãos, ou seja, de todos aqueles que gozam dos direitos de cidadania”. Ela distingue-se, portanto, da monarquia que é o governo de um só, e da aristocracia, o governo de poucos. Os gregos de Atenas foram os primeiros a elaborar um ideal democrático. Sua organização política era baseada no princípio de que o cidadão deve participar da polis (cidade-estado grega), decidindo o seu destino. Em uma sociedade democrática, portanto, os indivíduos devem atuar como sujeitos de sua história e de sua sociedade. Para isso precisam estar habilitados e inseridos nos processos políticos, econômicos, sociais e culturais, na medida em que essa inclusão garante-lhes uma compreensão efetiva do ambiente em que vivem e das relações que estabelecem com ele. Garante-lhes, acima de tudo, o próprio reconhecimento enquanto agentes pensantes e transformadores. Nesse ponto, a comunicação exerce um papel imprescindível enquanto uma possibilidade de auxiliar no processo de formação de sujeitos pensantes, críticos e cidadãos de fato. O jornalista, mais precisamente, trabalha para levar informação aos sujeitos. Informação esta que garante a condição democrática e que, em uma sociedade complexa, fornece subsídios para que os cidadãos conheçam a realidade em que vivem e se sintam parte dela.
O jornalismo, enquanto difusor de informação, carrega consigo instrumentos riquíssimos para fornecer conhecimento e possibilidades de reflexão sobre a realidade. Em seu formato atual, tem se consolidado como um dos poucos instrumentos de compreensão dos fatos e da própria história que se desenrola. Entretanto, devido ao paradigma estabelecido pelos preceitos da indústria cultural, não é possível concordar com o modo como a informação tem sido apresentada ao seu público: como simples mercadoria. Tampouco é possível fomentar as utopias propostas historicamente para esta atividade: a objetividade e neutralidade. Mais do que impossíveis, elas não trazem consigo aquilo que a teoria mais crítica sobre o jornalismo tem proposto como fundamental. Ora, se o jornalismo se consolida como fonte de conhecimento, precisa necessariamente englobar a totalidade do real, o que inclui contradições, conflitos, contextos, entre muitos outros aspectos. Precisa, inclusive, tratar de ideologia, sujeitos, opiniões, sentimentos, arte, cultura, porque a história se constrói a partir disso. A compreensão da história, que se dá através de representações diversas, pode ser divulgada de forma muito abrangente através dos meios de comunicação de massa ou, mais precisamente, através do jornalismo.
quinta-feira, 7 de maio de 2009
Qual o papel do jornalismo na sociedade contemporânea?
Por Vanessa Hauser
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