quinta-feira, 7 de maio de 2009

Jornalismo de Fofoca e os Profissionais do Século XXI

Por Drica Morais

Por vários anos, jornalistas enfrentaram o poder e a temida ditadura, que assombrava os meios de comunicação. Aqueles que ousavam se opor, eram presos, torturados e, até mesmo, mortos. Antigamente, também, não existiam faculdades de Jornalismo. Aquele que resolvesse ingressar na profissão teria que ser apaixonado pela área, já que os salários eram baixos. Bom, essa realidade é familiar até hoje. O fato é que esse período uniu a classe de jornalistas e motivou o crescimento da profissão – alimentando a utopia de muitos jovens: mudar o mundo. Em 2009, porém, aquele jornalismo social, preocupado com a opinião pública intelectual e responsável, parece ter se esvaído. Parte dos profissionais se tornaram “mestres da fofoca”, levando a sociedade a banalizar o Jornalismo como um todo.
Notícia do portal Globo.com, no dia 20 de abril: “Ao lado de Milena, Priscila agita Manaus” [Coluna Ego]. O lead, logo abaixo, traz informações ainda mais “interessantes”: “As ex-sisters ganharam sapatos e bolsas em loja de shopping”. Sempre que abrimos o jornal, ligamos a TV ou acessamos um site, nos deparamos com esse tipo de notícia, supérflua, ou, então, com manchetes carregadas de sangue, imersas na fatalidade. Acompanhar o enterro do amigo de uma celebridade parece estranho? Se analisarmos bem, não. A cena atrai milhares de olhares, pelo simples fato de mostrar que ele se emociona quando um amigo fatalmente morre. Pois é, ele é igual a qualquer um de nós.
O que se torna difícil de entender é: como a profissão pode perder, ao longo dos anos, todo o sentido e funções baseadas na dignidade, honestidade, ética, responsabilidade e comprometimento com a realidade dos fatos? Como um jornalista pode estudar mais de quatro anos e, depois, se submeter a esse tipo de trabalho, especializado em vasculhar a vida alheia? Não, não é falta de mercado. Muitos deles dizem gostar do que fazem.
A notícia se reveste de importância e interesse. É importante que o fato afete a vida das pessoas e atinja o interesse de um grande público. Porém, nem sempre uma notícia que é importante desperta interesse, da mesma forma que nem toda notícia interessante é importante. A notícia de hoje tornou-se uma mercadoria dentro da sociedade, sendo que nem sempre expressa informações correspondentes à realidade ou à verdade e, nem sempre, cumpre o objetivo de expressar o interesse público. O papel do jornalista está distorcido. Os profissionais, acreditamos, não se formam para falar da vida alheia, isso qualquer um faz. O papel do jornalista é informar, mostrar a realidade, saber ver os dois lados de uma questão, abrir os olhos da sociedade e ajudar o cidadão a se posicionar. "A sociedade é maior do que o mercado. O leitor não é consumidor, mas cidadão. Jornalismo é serviço público, não espetáculo”, já dizia Alberto Dines, jornalista e escritor.

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