quinta-feira, 14 de maio de 2009

Dinheiro virtual

Por Tiarajú Goldschmidt

Impressionante a quantidade de dinheiro emitido pelos governos do mundo inteiro para tentar acabar com a crise mundial. Foram R$ 12 trilhões em menos de um ano. Sabe-se que a crise mundial começou em setembro de 2008. E desde lá foi saiu tanto dinheiro dos cofres que até parece não haver crise. O mais surpreendente disso tudo é que o dinheiro vai principalmente para ajudar bancos e agiotas, que até há alguns dias “brincavam” com dinheiro virtual e extorquiam juros altíssimos da população.
O comentarista do Grupo RBS Paulo Sant’Ana tem razão ao afirmar – em comentário feito no dia 2 de maio de 2009 – que, embora ainda não apareça, pode haver uma inflação a partir da emissão de tanto dinheiro. Felizmente isso ainda não aconteceu. Pelo contrário, o salário mínimo brasileiro subiu uma porcentagem bem acima da inflação, e já foi anunciado que o novo aumento seguirá essa linha.
Só que o xis da questão é: de onde vem esse dinheiro? Quando é para construir hospitais ou pelo menos quitar suas dívidas, não há. Se é para arrumar um asfalto de rodovia federal, evitando acidentes, também não há dinheiro. Menos ainda para matar a fome.
O que acontece é o governo dar – sim, dar – dinheiro para os grandes empresários donos de multinacionais, que além de ter isenção fiscal por anos ainda põem para a rua centenas ou milhares de empregados quando o cinto aperta. São empresas que, apesar de empregarem pessoas, “apenas” poluem o ambiente, pagam o mínimo de impostos e quando começariam a pagar tributos, “erguem a cola” e vão embora.
Enquanto as prioridades não mudarem – conceder crédito somente para os grandes, dar incentivos apenas para os grandes e continuar sendo duro com os pequenos – os agiotas continuarão brincando com dinheiro especulativo, os bancos continuarão extorquindo seus clientes e o governo arrecadando apenas de empresas nacionais. E assim teremos inúmeras crises pela frente. É o capitalismo engolindo a si mesmo.

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