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quinta-feira, 14 de maio de 2009

Filtro de informações

Por Tiarajú Goldschmidt

Faz anos que o processo de produção de informações foi democratizado. Quer dizer, não é apenas o seleto grupo de pessoas denominado “jornalistas” que faz notícias. Os professores, estudantes, profissionais liberais, enfim, quem dispõe de um computador com acesso à internet e possui uma câmera digital hoje pode criar reportagens completas e publicá-las para o mundo inteiro ler. E sem custo nenhum.
O que motiva as pessoas a fazerem isso? O fato é que há “leitores-repórteres” espalhados pelo mundo todo. E, com toda essa colaboração disponível, com matérias borbulhando de vontade de serem publicadas em meios oficiais, resta alguém que as filtre ou simplesmente as veja como sugestões. Aí que entra uma das funções do jornalista.
Garimpar o que é de interesse de todos e o que pode contribuir de alguma forma para o bem geral da sociedade. Ainda é essa a forma de exercer com dignidade a profissão de jornalista, em meio a tantos órgãos de imprensa tendenciosos e com finalidade muitas vezes apenas voltada à ideologia política.
A informação está aí, não mais tão bruta como antigamente e nem tão difícil de ser conseguida. Os leitores têm necessidade de colocar assuntos cotidianos de sua vida na boca da mídia. Com a dita globalização, não há mais “furos” de reportagem e dificilmente algum conteúdo que passe despercebido.
Passou o tempo de o leitor esperar que os jornalistas ditem o que é o assunto do momento.

Dinheiro virtual

Por Tiarajú Goldschmidt

Impressionante a quantidade de dinheiro emitido pelos governos do mundo inteiro para tentar acabar com a crise mundial. Foram R$ 12 trilhões em menos de um ano. Sabe-se que a crise mundial começou em setembro de 2008. E desde lá foi saiu tanto dinheiro dos cofres que até parece não haver crise. O mais surpreendente disso tudo é que o dinheiro vai principalmente para ajudar bancos e agiotas, que até há alguns dias “brincavam” com dinheiro virtual e extorquiam juros altíssimos da população.
O comentarista do Grupo RBS Paulo Sant’Ana tem razão ao afirmar – em comentário feito no dia 2 de maio de 2009 – que, embora ainda não apareça, pode haver uma inflação a partir da emissão de tanto dinheiro. Felizmente isso ainda não aconteceu. Pelo contrário, o salário mínimo brasileiro subiu uma porcentagem bem acima da inflação, e já foi anunciado que o novo aumento seguirá essa linha.
Só que o xis da questão é: de onde vem esse dinheiro? Quando é para construir hospitais ou pelo menos quitar suas dívidas, não há. Se é para arrumar um asfalto de rodovia federal, evitando acidentes, também não há dinheiro. Menos ainda para matar a fome.
O que acontece é o governo dar – sim, dar – dinheiro para os grandes empresários donos de multinacionais, que além de ter isenção fiscal por anos ainda põem para a rua centenas ou milhares de empregados quando o cinto aperta. São empresas que, apesar de empregarem pessoas, “apenas” poluem o ambiente, pagam o mínimo de impostos e quando começariam a pagar tributos, “erguem a cola” e vão embora.
Enquanto as prioridades não mudarem – conceder crédito somente para os grandes, dar incentivos apenas para os grandes e continuar sendo duro com os pequenos – os agiotas continuarão brincando com dinheiro especulativo, os bancos continuarão extorquindo seus clientes e o governo arrecadando apenas de empresas nacionais. E assim teremos inúmeras crises pela frente. É o capitalismo engolindo a si mesmo.