quinta-feira, 14 de maio de 2009

Educação: uma ponte para o desenvolvimento

comentado por Jean P. Joris
O futuro de uma nação pode ser previsto segundo o desenvolvimento educacional inspirado pela sua cultura. O Brasil, por exemplo, se alegra em explicar aos gringos como a felicidade se dá pelo “jeitinho”.
Nossa história não nega: educação nunca foi uma prioridade. No começo, era regalia da nobreza ou do clero. Massas que não pensassem não provocariam insurreições. Mais tarde, tornou-se um modo de selecionar as pessoas: numa terra mestiça, grupos que estão “por cima” pensam que esconder-se sob o título de burguesia é tão belo quanto “separar o joio do trigo”. Assim, intencionalmente ou não, se esquecem que o “joio” são seres humanos.
Hoje, não à toa, as mazelas que separam as classes representam verdadeiros abismos. De um lado, vemos escolas públicas pouco capazes de formar a população intelectualmente. Do outro, centros educacionais de qualidade exemplar que poucos – muito poucos – podem pagar. Normalmente, segundo a cultura capitalista ocidental, o lado mais pobre – ou menos instruído – desejaria atravessar para o lado oposto – aquele com mais facilidades e onde a vida é, aparentemente, mais fácil.
A surpresa nessa situação toda é que em nosso país esse desejo inexiste para muitos – e isso se prova quando lembramos que o candidato à presidência que apresentou as melhores propostas para o problema da educação ganhou pouco mais que 2% dos votos.
Educação liberta, traz esclarecimento para o povo e ilumina discursos de políticos demagogos e populistas que se escondem à sombra da ignorância. Justamente por isso, ela revoluciona, e é justamente uma revolução no sistema educacional que precisamos para levar qualidade às escolas brasileiras.
De reformas, reparos, correções, adaptações... de “jeitinhos”, o Brasil esta farto. Pensar que investir recursos para qualificar a educação é a estratégia para a diminuição da criminalidade é algo que deveria estar presente no trabalho de governantes, mas atualmente, é mera utopia.
Vai ver é porque somos resultados de nós mesmos. Culturalmente, preocupar-se com o futuro era exacerbação dos gringos colonizadores. Importante era viver o presente, e observar exemplos de países que investiam pesado em formar intelectualmente seus cidadãos, perda de tempo. Pois, esses países que nossos antepassados viam com descrença hoje estão milhares de quilômetros à nossa frente, e, hoje também, nós queremos alcançá-los.
Novamente, de um lado do abismo, ficam os menos favorecidos – no caso, os brasileiros. De outro, nações que cinqüenta anos atrás apresentavam Índices de Desenvolvimento Humano menores que o do Brasil – como Coréia do Sul, China e Nova Zelândia. O abismo é profundo, mas com educação de qualidade, que leve à reflexão até mesmo sobre nosso “jeito” de fazer cultura, seremos capazes de construir uma ponte que nos leve ao outro lado. Basta saber o lugar certo onde amarrar as cordas que nos amparam.

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