segunda-feira, 29 de junho de 2009

Trocando de lugares

Por Cândida de Oliveira
O filme “O Segredo do Sucesso”, dirigido por Steve Rash, lançado em 2001 pela “Artisan Entertainment” e filmado na cidade de Nova York, conta a história de um “bem-sucedido” corretor da bolsa, Ryan Turner (interpretado por Charlie Sheen), que, utilizando informações secretas tem um plano para ficar milionário. Mas as coisas não ocorrem conforme o planejado, pois a informação é falsa – ele é enganado. Na realidade, Ryan tem um mau caráter: é mulherengo, insensível, e busca se aproveitar de situações e pessoas para conseguir atingir seus objetivos. Com o mau negócio, ele perde todo o seu dinheiro, recursos da empresa onde trabalha e inclusive seu emprego. Pela fama antiética e visibilidade do erro, Ryan perde sua licença de corretor e não consegue encontrar um novo emprego. Falido, ele se vê obrigado a mudar-se para o apartamento de sua namorada, Cindy (interpretada pela atriz Denise Richards) que é autora de uma coluna sobre conselhos amorosos em um jornal local que enfrenta sérias dificuldades financeiras. Mas Cindy, uma insensível mulher que só pensa em beleza estética, está com Ryan porque o vê como um potencial marido rico. Quando percebe que ele não corresponde mais as suas expectativas amorosas, Cindy resolve ir embora. Ela viaja com outro homem, abandonando o namorado, o lugar onde mora e seu emprego de colunista. Ryan, não só fica morando no apartamento de Cindy, como assume o seu emprego, depois de entrar em contato com Page (interpretada por Angie Harmon), editora do jornal. Ele se apresenta como namorado de Cindy e seu interlocutor para receber seu salário, as cartas dos leitores e entregar uma nova coluna, argumentando que a namorada está muito doente. Mas é ele que responde as cartas e escreve a coluna como se fosse Cindy. Ele faz se passar por sua própria namorada. O fato é que a insensibilidade de Cindy havia reduzido significativamente o número de leitores da coluna. No começo, as colunas de Ryan não conseguem atender ao mínimo esperado por Page, que resolve então demitir Cindy. Ryan consegue cópia do contrato e utiliza do argumento que Cindy não pode ser demitida. Page resolve dar uma segunda chance. Aos poucos, Ryan deixa de responder as dúvidas dos leitores de forma machista e preconceituosa e passa a se sensibilizar com os problemas e conselhos expressados através das cartas. A coluna escrita por Ryan começa a atender as expectativas do público e de outros leitores, atingindo um grande sucesso. O número de leitores e de cartas aumenta significativamente tirando o jornal da crise financeira pela qual passava. A coluna começa a ter repercussão nacional e todos querem conhecer a famosa “Cindy”, que precisa, mais do que nunca, manter sua verdadeira identidade em segredo. Porém, a simples atração que Ryan sentiu por Page quando a conheceu, se transforma e ele se descobre apaixonado pela editora do jornal que também demonstra interesse. Ryan se vê, então, obrigado a tomar uma atitude em relação à mentira que ele mesmo inventou, pois havia um romance entre ele e Page, e, principalmente, havia o retorno de Cindy. Além disso, ele havia se tornado outra pessoa, uma pessoa sensível, coisa que ate então não havia acontecido.

Essa comédia romântica, americana, de 93 minutos, nos mostra que atitudes antiéticas, gananciosas e oportunistas como as de Ryan podem ter consequencias nada agradáveis, como a ruína de uma carreira profissional, ou mesmo de uma empresa conceituada. Além disso, apresenta como não se deve agir quando se trabalha com o público. A postura de Cindy, por exemplo, estava comprometendo o seu trabalho, além de pouco contribuir para as situações e problemas dos poucos leitores que a escreviam, e muito menos, para melhorar a situação da empresa na qual trabalhava. Mas a mudança de caráter de Ryan é o acontecimento que mais merece destaque. Como uma pessoa pode mudar tão radicalmente de postura, tornando-se mais sensível, mais humana? Com certeza, o personagem Ryan acabou refletindo sobre os problemas que os leitores da coluna da Cindy relatavam em suas cartas e, sobre qual seria a melhor resposta/conselho para esses leitores. Quando mais ele atendia às expectativas de seu público, mais as pessoas escreviam para ele, se interessavam pelo trabalho que ele conseguiu desenvolver, apesar de estar usando a identidade de outra pessoa. O alto índice de audiência e participação na coluna aumentava cada vez mais seu sucesso. Mas o segredo de tanto sucesso remete à troca de papéis, de lugares, entre Ryan e seus leitores, assim como acontece com programas e formatos midiáticos que fazem tanto sucesso: o público se coloca no lugar dos personagens, e os personagens no lugar de público. Ao refletir sobre os problemas relatados por seus leitores, Ryan está se colocando no lugar do outro, está vivendo aquelas situações relatadas, ainda que de forma imaginária/inconsciente. Nesse sentido, podemos dizer que o leitor, tem um papel preponderante no trabalho de um jornalista, na medida em que este se dispõe a ouvir/ler o que o primeiro tem a dizer, com detalhes, com emoção e atenção. Assim, utilizando de sensibilidade e percepção humana, o jornalista sempre atenderá, com eficiência, o que o leitor espera dele. Embora o filme termine com o famoso “happy end”, comum em filmes desse gênero, podemos considerar válido assisti-lo. Ele nos faz pensar sobre a necessidade de valorização do ser humano, da importância de uma postura ética e sensível para com aqueles a quem dirigimos a palavra.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Análise do comentário de Arnaldo Jabor

Por Gisele Noll


Comentário Arnaldo Jabor de 24 de Dezembro de 2004, Jornal Nacional

Papai Noel deixou aqui uns presentes para destaques do ano que passou

Temos aqui: detector de mentiras para políticos corruptos. Temos um manual de reforma do Judiciário, que não sai nunca. Temos uma ideologia para o PMDB, que não é nenhuma. Temos óleo de peroba para lustrar caras de pau de chefes e investigados de CPIs.

Para o Lula temos: dicionário de metáforas, um boné multiuso – serve do MST até o time do Santos – e remédio para emagrecer obesos e engordar famintos.

Temos declaração dos direitos do homem, para os assessores do Ministério da Cultura. Medalha Palocci, Medalha para a Polícia Federal, medalha para o Ministério Público e um pacote de reformas: da Previdência, política, tributária. E também temos um coração para Osama e um cérebro para Bush.

Para os brasileiros, Papai Noel mandou consciência de seus direitos e olho vivo para seus políticos. E também sobrou um saco para todos aguentarem com paciência até o ano que vem.

Análise

A crítica que Arnaldo Jabor utiliza em seu comentário não é nem um pouco velada. Elo contrário, Jabor deixa bem claro o que quer dizer, sem meias palavras. Ele é irônico ao apresentar os problemas do país e mais ainda quando faz um balanço das atividades dos políticos durante o ano que passou.

A indignação de Jabor é clara quando explica que o brasileiro tem que ter paciência para esperar que os políticos resolvam pensar um pouco mais no povo do que em si próprios. Ele critica a política utilizada pelos políticos, faz um balanço sobre o que aconteceu no ano e ainda demonstra certa esperança em ver os brasileiros retomarem sua consciência.

A linguagem utilizada no comentário é simples e direta. Sua objetividade às vezes assusta, é até agressiva, porém impactante. Este é o estilo Jabor de ser. Sem levar em conta o que os políticos corruptos irão pensar dele. Mas, pensando bem, parece que ele espera que os políticos saibam o que ele diz e que mudem, pensem em seus atos.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Papel do jornalista na sociedade contemporânea: o profissional do além

Por Gisele Noll
O jornalista é o mediador. Não apenas o agente transmissor de informações. É a aquele que transmite todo seu conhecimento acerca de determinado fato à sociedade. É o indivíduo que não se contenta com o superficial, o básico. É aquele profissional incansável, que vê a prática jornalística como forma de cumprir um papel social na sociedade.
Com o advento de novas tecnologias de informação, como a internet, por exemplo, o fazer jornalístico pode se tornar ainda mais difícil, pois faz com que o profissional se especialize. Contudo, o jornalista não só pode como deve aproveitar esta oportunidade, que lhe trará uma nova opção de trabalho. Esta nova opção abre campo para o jornalista que alia a função primordial da função com uma nova demanda de mercado, pois o cidadão quer saber mais, quer um conhecimento mais aprofundado e detalhado de um determinado acontecimento e não se contentará com o “basicão da informação”.
Neste novo contexto, o profissional deve adequar-se às inserções das novas tecnologias, inteirar-se dos acontecimentos e estar “antenado” a tudo que ouve, lê ou vê. É com os sentidos aguçados e com uma postura ética que pertence somente a ele, que o profissional entra no mercado e mostra que ainda tem seu espaço garantido, pois agregar valor à notícia que está sendo trabalhada e encarar o seu papel na sociedade como primordial, é essencial para que este profissional mantenha-se atuante e indispensável.
Sendo ele muito mais exigido pelo mercado e cobrado por seu edito por seu bom desempenho em relação a seu grau de conhecimentos, deve conseguir desenvolver várias tarefas ao mesmo tempo. Não basta apenas escrever com os indicadores ao lado de uma xícara de café, o jornalista deve conhecer profundamente sobre o fato em questão e também ter conhecimento sobre suas ferramentas de trabalho.
Vez ou outra ele poderá diagramar sua página, o que não representa nenhum problema, ou até mesmo vender publicidade ao meio que trabalha. Não que isto seja o ideal, nem o aconselhável, mas a realidade irá ensinar que muitas vezes, principalmente no interior, as coisas nem sempre são como queremos que sejam. O fato é que o jornalista deve utilizar sua inteligência e sua curiosidade natural para ir além. Além do superficial e das histórias mal contadas, deve alcançar seu mais simples objetivo: informar.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Ronaldo: superação fenomenal

Greici de Mattos
Falar da qualidade técnica de Ronaldo, o fenômeno, como foi batizado na Europa, é chover no molhado. Mas para a geração que vê Zico, Falcão e Pelé em remotas imagens televisivas e saudosistas de um futebol brasuca que há tempos abandonou nossos estádios; para quem vê clubes brasileiros falidos entregando seus patrimônios à empresários estrangeiros a fim de aliviar suas finanças; para quem vê futuros craques recém formados completarem seus primeiros dribles já em um clube europeu, em seus precoces 18 anos, amparados pela Lei Pelé; e ainda, para quem assiste o craque de seu time do coração errar gols que até na várzea seria motivo de gozação, o futebol do Ronaldo em um time brasileiro, sendo transmitido pela televisão em canal aberto, e disseminado para o resto do mundo é um sentimento que só os amantes do futebol podem entender, até mesmo os anti-corinthians. A cada lance, cada toque na bola, a certeza que dali sairá um lance inesquecível domina os espectadores.
Isso tudo se pode argumentar apenas ao olhar os gols de Ronaldo no último domingo, para justificar seu apelido. Dois lances geniais. Sem contar ainda o que ele já fez no futebol – fatos esquecidos pela imprensa esportiva que fora duramente incrédula ao relegá-lo a condição de ex-jogador – como as duas vezes em que foi escolhido o melhor do mundo e sagrado o maior artilheiro de todas as copas. Um retorno espetacular depois de machucar aquele que é considerado quase como um coração para um atleta, o joelho. O fenômeno é especialmente único mesmo, como bem descreve Milton Neves em sua coluna na revista Placar de abril, “Ronaldo é esse Bill Gates da grana, Madre Teresa de Calcutá da humildade, Pelé da artilharia das Copas e Edmundo da falsa Malandragem”, fazendo referência às nuances da vida pessoal do craque.
Ronaldo, com a velocidade explosiva de seu corpo não conseguiu escapar das lesões que o afastaram do futebol, nem driblar as adversidades de uma vida pessoal conturbada. Provou que dar a volta por cima pode ser um desafio presente por vários capítulos da vida, e deve ser por isso que o brasileiro o ama tanto, ele é um exemplo de que mesmo com tanto talento, as adversidades surgem para todos.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

COMENTÁRIO DE LASIER MARTINS - JORNAL DO ALMOÇO (14/07/2008)

Por Micheli Thiesen


O comentário de Lasier Martins feito no Jornal do Almoço do dia 14 de julho de 2008, demonstra seu posicionamento, ou seja, se ele é favorável ou não à investigação que partiu do Psol sobre a origem do dinheiro da casa onde mora a governadora Ieda Crusius. Pela Lei de Registro e Declarações de Bens, cabe ao Tribunal de Contas do Estado controlar a evolução de bens de governantes e segundo suspeitas a casa da governadora teria sido paga com dinheiro da campanha eleitoral.

Lasier concorda que assim como tudo o que gera suspeita deve ser investigado, nesse caso deve ser feito o mesmo. Durante o comentário ele faz questionamentos acerca da conduta da Polícia Federal e o motivo de sua espécie de “revolta” e supõe alguns motivos.

Ele traz a tona ainda o projeto preparado por um deputado federal para proibir escutas telefônicas com o pretexto de combater a banalização. Porém aos olhos de Lasier há uma preocupação não com aquilo que é necessário e urgente, já que a banalização dos crimes do colarinho branco são mais graves do que esses problemas de escutas telefônicas.

Ele cita ainda alguns casos como o pedido de afastamento do presidente do Tribunal de Contas do Estado, suspeito de ligações com a fraude do Detran; a abertura de expediente para investigar o abuso do uso indevido de diárias do Tribunal de Contas, nepotismo, excesso de CC’S, uso indevido de vínculos, engavetamento de suspeitas anteriores que caíam sobre o Detran e os altos salários pagos aos funcionários do Tribunal de Contas.

Através do comentário foi possível perceber o quanto de conhecimento que Lasier Martins possui, já que a partir de um caso apresentado ele faz uma relação com vários outros acontecimentos, e com uma boa habilidade e visão crítica, é capaz de mostrar ao espectador uma quantidade de fatos, que de certa forma parecem ser meio isolados, mas que acabam evidenciando uma grande teia de acontecimentos.

MEDIADOR DA INFORMAÇÃO

Por Micheli Thiesen

O jornalista é considerado o mediador da informação. O papel do jornalista na contemporaneidade não mudou. Porém, ao passo que nos deparamos com um apanhado de novas tecnologias, percebemos que este profissional deve ser um pouco mais detalhista e tentar adequar-se às novas mídias. Assim como o rádio, e depois a TV mudaram o fazer jornalístico, a internet e essas novas tecnologias que vão sendo inseridas no mercado, também merecem um pouco mais de atenção e de estudo sobre a melhor forma de inserção e atuação por parte do jornalista.
Como a internet é uma mídia mais abrangente e que através de redes sociais, sites colaborativos, blogs e outros, está aberta para que qualquer um, sem formação profissional alguma, e que tenha acesso a ela, possa expor suas idéias, e de certa forma ser um mediador, é nessa hora que o jornalista, enquanto profissional que carrega consigo uma grande carga de conhecimento, de técnica e ética, deve mostrar o seu diferencial.
Tendo em vista que nessa era digital a quantidade de informações é cada vez maior, e pela fácil exposição das idéias, o número de pessoas lutando pelo seu espaço aumenta a cada dia, cabe ao jornalista saber selecionar o conteúdo que possa interessar ao seu tipo de público, interpretá-lo, e de forma clara, saiba transmitir tais informações.
Com um número crescente de mediadores, com certeza terá destaque, aquele que souber conduzir melhor as informações. Pode-se comparar a notícia, principal obra-prima do jornalista, a uma loja de roupas, por exemplo, o atendimento, o preço, a qualidade, enfim são algumas características que farão a diferença na hora da escolha. No jornalismo também acontece assim, aquele que for mais cauteloso, que souber usar com inteligência, criatividade e ética todo o seu conhecimento terá preferência na hora de “vender o seu peixe”.

terça-feira, 19 de maio de 2009

A crise global

A crise global: o tema do Fórum Econômico Mundial
Por Amauri Lírio

O Fórum Econômico Mundial, que aconteceu em janeiro em Davos, na Suíça, é uma conferência anual que geralmente reúne dezenas de chefes de Estado e cerca de dois mil líderes das maiores empresas do mundo.
O foco do Fórum Econômico é a crise mundial, que já afeta a maioria dos paises, sendo que alguns já estão em recessão; outros, a maioria, ainda não.
Mesmo com toda essa crise, a China pretende crescer 7% este ano, em relação ao crescimento do ano anterior, o que é bastante significativo. Já o Brasil, está projetando um PIB de 2% a 3,5%.
Enfim, em termos de crescimento, o mundo todo, segundo o FMI, pode chegar, este ano a 1,5% de expansão. Isto significa, que a previsão é uma desaceleração do crescimento.
Cabe salientar que no Brasil a maior crise foi em 2001, na época do “apagão elétrico” e a do efeito “Lulalá”, em 2002, onde tivemos um PIB perto de zero, inflação acima de 12% e dólar perto de R$ 4,00. Tomara que nunca mais aconteça!
O Fórum ao debater a crise global, deveria estar focado no sistema bancário, que é o principal responsável pelo desencadeamento da famosa crise. Pois são os bancos europeus e americanos, que seguem no comando de enormes recursos financeiros, que não são repassados à economia, o que poderia contribuir para dar uma amenizada na crise em vários segmentos da economia mundial.
Então, face a este cenário, frente a um mercado em que o maior busca engolir o menor, os governos do capitalismo milionário não deveriam continuar de olhos fechados, fingindo que nada está acontecendo. Deveriam, sim tomar uma atitude, ou seja, assumir o seu verdadeiro papel de Estado regulador, supervisor, interventor. Esta é uma medida que dever adotada urgentemente, pois é uma questão de posicionamento, que pode, sim, evitar danos bem maiores na economia mundial.